sábado, 27 de junho de 2015

ÚRANO EN TRÂNSITO EM QUADRATURA COM ÚRANO NATAL



Este trânsito acontece duas vezes na vida: a primeira aos 21 anos, e a segunda vez aos 63 anos. Tal como corresponde à natureza de Úrano e a um aspeto como a Quadratura, estes são tempos de mudanças importantes na orientação e valores.
O primeiro trânsito de Úrano em Sextil com Úrano Natal anuncia o começo da adolescência; mas a primeira Quadratura de Úrano com a sua própria posição marca o final da adolescência e a entrada plena na idade adulta jovem. Por volta dos 14 anos e no momento do Sextil de Úrano com a sua posição Natal, sentíamos a necessidade de uma maior autonomia, mas não era muito o que podíamos fazer a esse respeito. Talvez enfrentássemos os nossos pais, desafiando-os, mas o mais provável é que tivéssemos continuado vivendo com eles. Quando Úrano forma a primeira Quadratura com Úrano Natal, mal passamos dos 20 anos e também sentimos (consciente ou inconscientemente) um impulso para a autonomia, mas agora já podemos levá-la um pouco mais longe.
Provavelmente a manifestação mais comum deste trânsito seja o que Sheehy chama "desenraizar-se" ou abandonar o lar dos pais. A missão de nos separarmos da família e descobrir quem somos por direito próprio (que se iniciou nos começos da adolescência) torna-se mais premente, mais urgente. Mesmo se durante este período não nos mostramos ferozmente rebeldes, continua sendo uma época importante de crescimento e de mudanças rápidas. Ainda mais que antes, se espera de nós que escolhamos o nosso grupo de pares, que estabeleçamos claramente a nossa identidade sexual e que encontremos alguma forma de trabalho ou ocupação que sirva para nos definir. Em poucas palavras, espera-se que sejamos mais responsáveis de nós mesmos que antes.
Úrano está associado com ideologias e com "-ismos" e quando forma Quadratura com o nosso Úrano Natal pouco depois do nosso vigésimo aniversário ativa-se também a necessidade de encontrar algo em que possamos acreditar. É a época em que muitos procuramos um grupo ou uma causa à qual podemos aderir, algo que dê significado e orientação à nossa vida. Úrano estimula uma necessidade de maior independência e autonomia, e o particular motivo de atração por um ou outro grupo pode depender do facto de que os seus ideais  ou valores divergem significativamente dos nossos pais. Encontrar uma visão do mundo que difira da nossa família é parte da busca da nossa própria identidade.
Também há quem não seja rebelde nem tome de modo algum uma resolução definida. Pode suceder que nos adaptemos aos valores e expetativas dos nossos pais, e que encaixemos no estilo de vida que eles tinham pensado para nós. O aspeto positivo de aceitar passivamente a visão do mundo dos nossos pais é que evitamos uma crise; o negativo é que deixamos passar uma oportunidade de explorar a nossa própria identidade e descobrir quem somos, independentemente deles. Mas o mais provável é que a crise que conseguimos iludir nesta etapa faça erupção num momento mais tardio, provavelmente entre os 35 e os 42 anos, altura em que Úrano está em Oposição com a sua posição Natal, e bom, porque tarde ou cedo teremos de encarar o facto de passar por uma crise de identidade deste tipo é um pré-requisito para a descoberta de nós mesmos.
A segunda Quadratura de Úrano com a sua posição Natal ocorre por volta dos 63 anos, não muito depois do segundo Retorno de Saturno. A preocupação óbvia é o envelhecimento. Há pessoas que nesta fase renunciam  seguir crescendo, pregam elas mesmas a tampa do caixão e fecham-se num estado anímico que poderíamos definir como de "e isto é tudo?" obcecados por o passado, pela perda e pelas oportunidades que desaproveitaram. Afortunadamente, no entanto, nem todas as pessoas raciocinam da mesma forma. Há estudos que demonstram que pessoas a quem o envelhecimento preocupava desde a metade da quarentena e durante a cinquentena deixaram de preocupar-se por o tema depois dos sessenta. Aceitam o facto que são mais velhos e seguem adiante com a tarefa entre mãos, tirando o melhor partido do tempo que lhes resta.
Ao começo da vintena, a primeira Quadratura Úrano/Úrano significa separar-se da família de origem e descobrir o facto de ser um indivíduo por direito próprio. Pouco depois dos sessenta, a segunda Quadratura Úrano/Úrano também tem que ver com uma separação, mas diferente. A nossa tarefa, agora, é separar o que realmente é importante para nós do que não o é. É provável que comecemos a sentir-nos mais distantes (ou não tão inquietos por) problemas ou preocupações que antes significavam muitíssimo para nós, mas isto não significa que estamos deslizando para um estado de indiferença no qual nada importe. Pelo contrário, as coisas que continuamos considerando importantes são-no cada vez mais. Após ter discriminado entre o que tem valor para nós e o que não tem, agora podemos descobrir que o nosso interesse pelas coisas que consideramos dignas de atenção e que nos revitalizam se tornou ainda mais intenso.
Nesta época, para a maioria das pessoas, o distanciamento do que mais importava no passado assume a sua forma mais obvia na aposentação. Os problemas relacionados com a carreira e o êxito pessoal e mundano já não têm uma importância prioritária. A muitos de nós a interrupção do trabalho ou a diminuição do seu ritmo deixa-nos um vazio inquietante, e vemo-nos forçados a confrontarmo-nos com um dos principais medos existenciais, o da perda de estrutura. Ao vermo-nos com mais tempo livre e menos responsabilidades que nunca nos deixa pela frente a tarefa de dar um significado novo à nossa vida.
As pessoas que melhor gerem o problema da aposentação são as que delinearam e procuraram soluções com bastante antecipação. Quando ainda nos restam anos de trabalho pela frente, podemos usar o nosso tempo livre para cultivar um passatempo ou uma habilidade que no momento pode ajudar-nos a preencher o vazio que deixa a aposentação. A partir dos 60 anos, homens e mulheres necessitam encontrar algo que os ocupe e os distraia. Se o planearmos com antecipação, é mais provável que saibamos usar de maneira construtiva a segunda Quadratura Úrano/Úrano. Não temos que esperar que se produza para começar a procurar atividades e projetos interessantes que não tenham nada que ver com o nosso trabalho nem com o âmbito doméstico. Se tivermos previsto o vazio que deixa a aposentação ou a evolução de uma família em que os filhos ficam adultos, podemos preparar-nos para enfrentá-lo.
De acordo com a natureza de Úrano neste período, as canalizações que podem resultar mais gratificantes são aquelas para as que podemos orientar-nos independentemente de outras pessoas e que, no entanto, servem de alguma maneira a comunidade. Podemos encontrar ocupação que queremos fazer e, ainda mais, em que não tem necessariamente que participar o nosso cônjuge. Há organizações e grupos de caráter social  ou comunitário, e atividades que vão desde dedicar-se a observar os costumes dos pássaros até interessar-se por tarefas religiosas e políticas e que podem oferecer-nos possibilidades de realização e de compromisso que antes pertenceram ao domínio da família ou da carreira.



sábado, 6 de junho de 2015

SOL EM TRÂNSITO AO SOL NATAL


O Sol todos os anos dá uma volta completa ao nosso mapa (360º), fazendo sempre os mesmos trânsitos com aspetos aos nossos planetas natais e sempre na mesma data  com algumas horas de diferença. Acontece que estes trânsitos são muito rápidos entre 1 a 2 dias. No entanto, quem tem signo solar ou lunar em Leão ou o Ascendente neste Signo, tende a sentir com mais intensidade estes trânsitos do Sol. São trânsitos relativamente fáceis.
Tentarei falar a pouco e pouco de todos eles.

A Conjunção produz-se no momento do nosso aniversário. Uns dias anteriores e posteriores ao nosso aniversário sentimo-nos algo depressivos, porque estamos avaliando todo o ano que vivemos. Os antigos pagãos instituíram a festa com os presentes de aniversário para alegrar o espírito e estimular que sigamos em frente. No Sextil e no Trígono, reavivam-se os nossos valores solares e podemos expressar os nossos desejos com suavidade e harmonia. São momentos de crescimento interior.
Quando o Sol se opõe à sua posição original no mapa, mais ou menos depois de 6 meses, sentimos um outro género de depressão, assim como quando o Sol forma as quadraturas. Sentimos que estamos como que sem energias, cansados, e isso não é positivo no campo profissional. Nestas alturas, uma boa alimentação, horas suficientes de sono, evitar muita atividade nas férias assim como trabalhos extras, serão cuidados importantes.

CONJUNÇÃO

Você quer destacar-se, ser o centro da atenção e receber o reconhecimento. É o momento de avaliar o que você é como pessoa única. Este é o início de um ano novo para si e sente-se carregado (a) com nova energia, vitalidade, e sentido de propósito.

SEXTIL

Os esforços de amizade e cooperação florescem agora. Você alcança um equilíbrio harmonioso em dar e receber, falar e escutar e qualquer atividade social ou conjunta serão benéficas.

TRÍGONO

Prevalecem a confiança e a harmonia interiores. Agora você pode avançar com projetos criativos e expressar-se com mais facilidade e comodidade. Os seus esforços serão bem recebidos neste momento.

QUADRATURA

Agora você sente-se temporariamente bloqueado. A resistência e os desafios de outros ou das situações externas sugerem que este não é um bom momento para tentar forçar a sua vontade e os desejos  do "mundo", pois o atrito é o único resultado provável. As relações com pessoas de autoridade podem ser especialmente tensas.

OPOSIÇÃO

Este é um momento para escutar as opiniões dos outros e regenerar-se tanto a si mesmo como o que esteja fazendo. As relações de todo o tipo são ativadas agora e a cooperação, o compromisso e os ajustes aos pontos de vista dos outros com temas chave que requerem a sua atenção. Pode entrar em contacto com uma pessoa que é especialmente criativa ou influente na sua vida.



terça-feira, 12 de maio de 2015

A CASA XII



A Casa XII - Relacionada com Neptuno e Peixes

É um setor que é associado com influências negativas, em parte é certo, mas possui uma explicação e também, por vezes, um significado muito mais positivo e profundo.
A Casa XII é o final de um ciclo, todo o planeta posicionado nela se vê obrigado a procurar mais além, é como se depois de uma longa aprendizagem se encontrará a essência final do Arquétipo representado por o/s planeta/s e Signo localizados nesta Casa. Um planeta posicionado nesta Casa está no final dum ciclo, no qual deve chegar a transcender o superficial.
Isto leva a que a pessoa não se conforme com meias tintas nessa área, isso já não é válido, há que procurar mais fundo o significado. As consequências são que se desprezam muitas oportunidades médias procurando esse último sentido e por isso o risco de não conseguir nada é muito maior.
Quando algum planeta difícil se encontra nela (e se está com mau aspeto ou mal  relacionado com os outros, mais ainda) pode ter-se tendência a experimentar o negativo do seu significado até às últimas consequências, pode haver uma atração fortíssima para chegar a conhecer a sua essência, e o avassalador da dita tendência e do conhecimento  que leva implícito, pode conduzir a uma fuga, seja mediante drogas ou outro tipo de escapismo, ou também se poderá interpretar como mais que uma fuga, um sentimento de reconciliação com o todo através do efeito ( na imensa maioria das vezes pernicioso) de diversas drogas, pois o normal não alimenta e satisfaz as suas necessidades de profundidade.
Devido a este conhecimento profundo a pessoa torna-se mais compreensiva nesta área, por isso esta Casa também é a da compaixão, ao conhecer mais a fundo algo, nos damos conta do complicado e dos muitos fatores que há que ter em conta para poder julgar, e a pessoa é muito mais compreensiva do significado por esse planeta/arquétipo e, por conseguinte, do restante  relacionado com essa área.
Vou dar um exemplo que em termos gerais considero válido, do efeito de um planeta/s nesta Casa:
Vénus está exaltado _bem posicionado_ nesta Casa, a sua natureza aqui pode ser interpretada desta forma:  ao procurar a essência da emotividade, Vénus não se conforma com um amor egoísta, restringido a um círculo, procura e interpreta que o verdadeiro afeto deve ser mais amplo, toma consciência do sofrimento de muitos seres e não pode fechar os olhos a essa última essência que será a compreensão e, através dela, o afeto a tudo e a todos, pois quando aprofundamos damo-nos conta de que não é fácil julgar.
Outro exemplo seria o Sol na 12. Os textos clássicos atribuem-lhe falta de êxito na vida, a pessoa não se destaca, mas é que o Sol na 12 dá-se conta do efémero do ego e do seu êxito, e também do injusto disso, pois tem em conta os outros, e simplesmente não o procura (o êxito) não tem significado real para ele, o seu interesse é chegar a fundir a sua individualidade (o Sol) com algo mais amplo.
Em termos gerais, as perdas significativas por esta Casa, poder-se-á dizer que são devidas a um excesso de ambição, no bom sentido da palavra, é como um jogador que aposta forte porque só quer o máximo, não se conforma em ganhar um pouco, quer tudo, e, claro está, as possibilidades de perder e acabar em bancarrota aumentam consideravelmente. Por outro lado, também é possível que não se atreva a apostar para não perder o que tem, e essa situação, geralmente na Casa XII, muitas vezes leva a problemas a nível psicológico.
Porém, a aprendizagem, o gosto pela verdade, se se sabe, ou se pode aproveitar, que implica esta Casa, dá grandes satisfações aos que sofrem, ou, no meu humilde entender, desfrutam dos efeitos de algum planeta nela, embora implique muitas frustrações pois perdem-se grandes oportunidades em prol dessa busca, e no final podem sentir que lhes faltou alguma experiência que outros desfrutaram, embora, no fundo, eles não a tenham desfrutado por estar olhando mais além e não dar importância ao que tinham à mão, e que outros captaram. Mas, esse é o destino desta Casa (do Signo e o Planeta/s localizados nela), procurar mais além do normal, pois é o final de um ciclo.
De todas as maneiras, há muitos casos em que, como comentei antes, a pessoa não se atreve a enfrentar o desafio dalgum planeta nesta Casa e pode cair no escapismo que a pode levar a fortes problemas psicológicos e de saúde.
Em particular, conheço muitos casos com a Conjunção Úrano-Plutão em Virgem e na Casa XII, ou seja pessoas nascidas entre 1962/69 com Ascendente em Virgem ou princípios de Libra - com fortes problemas psicológicos -, sobretudo em 1965 que, aumentando a pressão, estava Saturno em Oposição a esta Conjunção - e de drogas -,  considero que a geração da Heroína desaparece em 69, a partir daí os casos vão diminuindo de forma bastante radical, também porque Neptuno sai de Escorpião que agravava a situação. Muitos deles são amantes da Natureza como poder de cura, podem ter tendência a tentar a medicina natural como regeneração, em parte, também por ter a maioria destes casos Ascendente Virgem.
Um planeta nesta Casa exige muito à pessoa, o livre arbítrio neste caso, à parte da facilidade ou dificuldade devida ao estado harmónico ou  desarmónico do dito planeta por signo e aspetos, está sujeito à sua liberdade para aceitar o desafio e cumprir o seu destino, ou ficar na estação sabendo que devia apanhar o comboio, mas partiu, e a estação já não serve, pois sabe, ou melhor, intui, a intuição é forte nesta Casa, que há algo mais para lá da estação e já não poderá alcançar para ver.
A esta Casa também se aplica muito o  conceito de isolamento, e é lógico, há uma tendência inata a retirar-se da vida considerada "normal", não nos enche, não nos serve, parece-nos superficial, há que encontrar respostas que transcendam essa realidade. Além disso, pode sentir-se necessidade de muita solidão para libertar a psique, para limpá-la, de tudo o que percebe o seu radar psíquico, há uma grande necessidade de processar na solidão todo esse depósito de perceções que o radar psíquico de uma pessoa com forte influência na Casa XII pode chegar a ter, sobretudo se Saturno, Úrano, Neptuno e ou Plutão estão situados nela, pois neste caso as perceções podem ser muito negativas, não positivas, otimistas, benéficas e alegres.
Outra faceta é a dos inimigos secretos, sempre se associou esta Casa a ter fortes inimigos não declarados. É um ponto que vejo muito claro, em minha opinião, o porquê: as pessoas com forte influencia na Casa XII são muitas vezes uma espécie de radares psíquicos, como lhes interessa muito o oculto e o psicológico frequentemente caminham pela vida com uma sensibilidade especial para o que está acontecendo no ambiente psíquico, por trás do aparente. Isto pode resultar muito irritante para as pessoas que andam com más intenções pois rapidamente percebem que estão sendo descobertas em parte.
Outra faceta dos inimigos secretos está associada às pessoas com forte influência de Casas muito ativas -por exemplo a casa I e a Casa X-  e pouco das Casa de Água  -IV , VIII e XII-, estas pessoas podem considerar muitas vezes as pessoas que têm forte influência na Casa XII como pessoas com muita lassidão e preguiça, ou seja, podem chegar a ser consideradas como parasitas e atuar contra elas, a maioria das vezes de forma encoberta, pois não têm demasiada razão para fazê-lo. Para essas pessoas a vida é ação, luta e conseguir objetivos. Para as da Casa 12 a vida é NÃO FAZER NADA, tentar compreender e fundir-se ou chegar a conhecer algo mais transcendente do que a realização social, é também, em muitos casos querer tentar erradicar tanto sofrimento que percebem.
Como comenta Howard Sasportas, também há um velho relato que nos mostra o lado positivo da Casa XII.
"Autorizaram un homem a  visitar o Céu e o Inferno. No Inferno vê uma grande reunião de pessoas sentadas à volta de uma  grande mesa posta com toda a variedade de manjares deliciosos. No entanto, todos aqueles miseráveis morriam de fome. O visitante não tarda em descobrir que a razão de tão lamentável estado é que lhes puseram colheres e garfos que eram mais longos que os seus braços e, como resultado, não podiam levar a comida à boca. Depois o homem é admitido para ir ao Céu. Encontra-se com a mesma mesa posta, com os mesmos talheres excessivamente longos. Mas no Céu, em vez de cada um tentar alimentar-se a si próprio, cada pessoa usa a sua colher ou o seu garfo para dar de comer a outra, de maneira que estão todos alimentados e felizes."
Que há de épocas anteriores à vida intrauterina? Muitos astrólogos consideram que a Doze é a "Casa do Karma". Os reencarnacionistas creem que a alma imortal do Homem está numa viagem de aperfeiçoamento e retorno às suas fontes que não se pode cumprir no curto prazo de uma vida. Mais que o azar, existem leis definidas cuja operação determina as circunstâncias de cada lapso vital ou de cada etapa da viagem. A cada nova encarnação trazemos connosco a colheita da experiência proveniente de vidas anteriores e também capacidades latentes em espera para ser cultivadas. Causas que se puseram em movimento em existências prévias influem sobre o que encontramos na atual. A alma escolhe o determinado momento para nascer porque o desenho astrológico se adequa às experiências que necessita ter no seu estádio atual de crescimento. Neste sentido, toda a carta é uma imagem do nosso Karma, tanto daquilo que acumulámos como resultado de ações passadas como do que necessitamos despertar para seguir avançando. Mais especificamente a 12ª Casa mostra-nos "o que trazemos" do passado, e que atuará nesta vida, quer na coluna do débito ou na coluna do crédito da nossa conta.
Quer nos refiramos ao "efeito umbilical", ou à teoria do Karma e da reencarnação, os posicionamentos da Casa XII descrevem influências que descenderam até nós por obra de causas e fontes que evidentemente não podemos recordar nem ver. Através da Casa IV, de água, herdamos ou conservamos vestígios do nosso passado ancestral. Na XII, é possível que estejamos recetivos à influência de uma reserva de memória ainda mais vasta, que Jung chamava inconsciente coletivo: a memória inteira da raça humana na sua totalidade. Jung definiu o inconsciente coletivo como "a condição prévia de cada psique individual, assim como o mar é o portador de cada onda". De certo modo, tal como demonstra a Casa XII, cada um de nós está ligado ao passado e é portador da memória de experiências que vão muito mais além do que pessoalmente conhecemos.
Agora vou definir o normalmente aceite em astrologia desta Casa XII. São palavras-chave que ajudarão na compreensão de todo o texto:
O desejo de regressar ao estado de unidade original. O sacrifício do sentimento de ser separado para se fundir com algo mais vasto, apesar do temor à dissolução dos limites. Nebulosidade, confusão empatia e compaixão. Tendências escapistas. A meditação e a oração. A imersão no álcool, nas drogas e outros prazeres substitutos da "totalidade". O serviço aos outros, a causas e crenças ou a Deus. Atividade entre bastidores, padrões e complexos inconscientes. O ver-se arrastado por compulsões inconscientes. Os inimigos ocultos, os sabotadores internos ou externos. Influências provenientes de causas ou fontes que nem sempre recordamos. O efeito umbilical e a vida intrauterina. O Karma, o que trazemos de vidas anteriores. As energias que nos sustentam ou nos aniquilam. O acesso ao inconsciente coletivo, as imagens míticas e o âmbito imaginário. O inconsciente como armazém do passado, mas também como possibilidades futuras. Como vamos ou estamos em hospitais, prisões, museus, bibliotecas ou outras instituições. Alguma indicação da carreira. O que sentimos que temos de redimir; aquilo do qual esperamos a imortalidade.
Algumas pessoas com posicionamentos na Casa XII servem como mediadores e transmissores de imagens universais, míticas e arquetípicas que pertencem ao nível do inconsciente coletivo. Em diversos graus, certos artistas, escritores, compositores, atores, líderes religiosos, terapeutas, místicos e profetas atuais conectam com este âmbito e convertem-se em veículos que transmitem a outros a inspiração do que eles "sintonizaram". O compositor Claude Debussy, que tinha nesta Casa a sensualidade de Vénus. William Blake, com a imaginativa e sensível Lua em Câncer; o poeta Byron, que com o seu manejo lúdico e expansivo da palavra, em forma de rima,  fortaleceu todo o movimento romântico, tinha Júpiter em Gémeos na Casa XII. Também o visionário Pierre Teilhard de Chardin, com o Sol, Neptuno, Vénus, Plutão e a Lua reunidos na mesma Casa XII, são outros tantos casos que o demonstram.
É como se as energias da Casa XII não estivessem destinadas a ser usadas com fins exclusivamente pessoais. Talvez o que se nos pede seja que expressemos esse princípio no interesse de outros e não somente no nosso. Por exemplo, é provável que quem tenha Marte nesta Casa assuma o papel de ser quem trava uma batalha ou defenda uma causa em nome de outras pessoas. Desta forma, é como cedêssemos o nosso Marte ou o "oferecêssemos", a outros. Nesta mesma Casa, é possível que Mercúrio anuncie o que outras pessoas pensam ou se converta em porta-voz das suas ideias.
Há pessoas que, por causa da localização dos posicionamentos na Casa XII, levam o que poderíamos chamar uma "vida simbólica", querendo isto dizer, que os problemas da sua vida individual refletem as tendências ou os dilemas existentes na atmosfera coletiva. Por exemplo, Mahatma Gandhi com o Sol em Libra na Doze, converteu-se para milhões de pessoas, na encarnação vivente do princípio libriano da coexistência pacífica. Hitler, tinha nesta Casa XII Úrano, que o condicionou especialmente para se abrir a ideologias que naquele momento podem ter estado no ar. Bob Dylan tem Sagitário na cúspide da Casa XII, e Júpiter seu regente na Casa V, que é o setor da carta que se relaciona com a expansão criativa. Graças à sua música, Dylan foi por sua vez o porta-voz e o inspirador de muitas das tendências contra culturais da década dos anos sessenta. Numa região de Inglaterra, onde não há quase ninguém de cor, nasceu e criou-se uma mulher negra com Úrano em Câncer na Casa XII. Ao ter de integrar-se na vida da cidade estava não só resolvendo o seu próprio dilema, mas também lutando pela causa de muitos outros negros.
A Casa XII chama-se a casa dos "inimigos secretos" e de "atividades entre bastidores". Isto poder-se-á tomar literalmente no sentido de pessoas que conspiram ou tramam algo contra nós. No entanto, é mais provável que tenha que ver com as debilidades ou forças que se ocultam em nós mesmos e que sabotam a realização das nossas metas e objetivos conscientes. Em poucas palavras, que os impulsos e compulsões inconscientes que aparecem nos posicionamentos da Casa XII podem desviar-nos da realização dos nossos objetivos conscientes. Por exemplo, se um homem tem a Lua e Vénus na Casa VII, isso cria uma forte urgência de relação íntima com outra pessoa. Mas, se o mesmo indivíduo tem também Úrano na Casa XII, o fato leva-nos a pensar que, inconscientemente, pode haver um desejo tão intenso de liberdade e independência que o leva a sabotar, sem se dar conta, qualquer tentativa de estabelecer vínculos que o limitem. Geralmente, quando se produz algum conflito entre objetivos conscientes e inconscientes, o que ganha é o inconsciente. Neste caso, é provável que o sujeito só se sinta atraído habitualmente por mulheres que, por não serem livres, não podem casar-se, ou por alguma razão não estão dispostas a responder favoravelmente às suas propostas.
É possível que aqueles que tenham posicionamentos difíceis nesta casa se "desmoronem" sob a pressão da vida, ou que caiam presos do poder de complexos inconscientes que, ao emergir à superfície, os ponha perante a necessidade de ser cuidados e controlados. A outros restringe-os, limita-os ou encerra-os porque eles são considerados perigosos para o bem-estar da sociedade. Em qualquer destes casos, a estas pessoas é-lhes imposta a vontade de uma autoridade superior, compatível com o princípio da Casa XII que o indivíduo se submete a algo maior que ele mesmo. Não é excecional encontrar pessoas que têm posicionamentos nesta casa, trabalhando neste tipo de instituições. Os reencarnacionistas creem que mediante a boa vontade e este tipo de serviço é possível apagar o "mau karma" do passado.
Seria impróprio que me referisse a esta casa sem  mencionar as investigações realizadas por Gualquilin, que ao analisar as carreiras de desportistas de êxito, encontrou uma correlação com Marte no setor da Casa XII da carta natal. de modo similar, os médicos e os cientistas, tendem a ter nela Saturno, os escritores a Lua e os atores Júpiter. De acordo com estes estudos,  parece que os planetas que se encontram na Casa XII (e em certa medida na Casa IX, na IV e na III) determinam significativamente o carácter e a profissão do indivíduo. Isto surpreendeu muitos astrólogos, que supunham que os posicionamentos na Casa I ou na Casa X deviam ser mais fortes neste aspeto.
No entanto, cabe perguntar se estas descobertas são a tal ponto surpreendentes à luz do que sabemos da Casa XII. Os desportistas captam a necessidade coletiva de competir e de ser os primeiros (Marte); os escritores sintonizam com a imaginação coletiva (Lua) e os cientistas servem a necessidade coletiva de classificar e estruturar (Saturno).
Nalguns casos, a acentuação da Casa XII contribui para a falta de uma identidade clara e condiciona uma vivência de nebulosidade, uma vida de desorientação em que a pessoa se sente um vítima aprisionada pelas tendências e os movimentos inconscientes que há na atmosfera, e por um sentimento distorcido do valor do sofrimento e do sacrifício de si mesmo. Por outro lado, o conceito característico desta Casa de renunciar ao sentimento de ser uma entidade separada, dá origem a uma empatia e uma compaixão autênticas, a um espírito de serviço abnegado, â inspiração artística e, em última instância, a capacidade de fusão com o GRANDE TODO.  




Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...