sexta-feira, 13 de julho de 2018

LUA EM TRÂNSITO ATRAVÉS DAS CASAS E EM ASPETO COM OS PLANETAS NATAIS



Na antiguidade, o Sol, fonte de luz e calor, rei do dia, simbolizava a masculinidade. A Lua, pelo contrário, noturna, mutável, simbolizava os grandes princípios femininos: fecundidade, criatividade, inconsciência, fantasia, inconstância… Nela há uma só constante: o seu caráter inexplicável.
Quer sejamos homem ou mulher, a Lua representa a nossa parte feminina. Reúne todas as sensações e os impulsos que acumulámos desde a nossa vida intrauterina. Paradoxalmente, a Lua, vulnerável e emotiva, é também a mãe, a que nos protege e nos dá segurança. Ela molda a criança, ajuda-a a crescer, modela o teu futuro. Deste modo influi em toda a nossa vida, particularmente no campo das emoções. Delimita as nossas necessidades afetivas e estilo de vida que mais nos convém.
O papel e a influência da Lua no comportamento humano não deixa de ter analogia com o mundo id: isto é, um conjunto de forças desconhecidas, não manejáveis, que se expressam por vezes mediante fórmulas como: "se me escapo", "é mais forte do que eu". Freud definia o id como uma reserva de pulsões, as quais constituem antes de tudo o aparato psíquico. Em parte são hereditárias, inatas, mas também reprimidas e adquiridas pelo bebé.
Mas voltemos à astrologia. Sabemos que a Lua leva 28 dias a percorrer o Zodíaco. A influência dos seus trânsitos exerce-se num curto período; entre 24 a 48 horas. Em mais ou menos um mês terá percorrido as 12 casas da nossa carta natal e transitado pelos nossos 9 planetas. Em cada ocasião servirá como todos os planetas rápidos, a Lua influência a nossa vida diária. O mau-humor ao acordar pode dever-se por exemplo: à passagem da Lua por Saturno ou pela casa 12. Mas a intensidade destas reações passageiras varia, é claro, segundo a posição da nossa Lua Natal. É certo que uma Lua sob a influência de Júpiter ou Vénus atenuará a sensação de mal-estar inerente ao trânsito por Saturno.
Todos os meses a Lua retornará à nossa Lua Natal e reatualizará alguns dos seus aspetos. Através destas repetições, podemos aprender a dominar as nossas emoções e a superá-las. Ela indica-nos de modo subtil, sem palavras, as nossas debilidades, os nossos temores e os nossos limites.
Através da sua Lua Natal as mulheres poderão analisar a sua própria feminilidade e a sua maternidade. Os homens, por outro lado,  descobrirão o seu lado feminino, assim como o tipo de mulher que devem procurar.
Durante os seus trânsitos, a Lua recordar-nos-á a nossa relação com a nossa mãe e as sensações, alegres ou angustiantes, da nossa infância. Não  esqueçamos, a Lua representa a parte mais íntima, primária e inconsciente. É a própria emoção e é por isso que, muitas vezes, isso se traduz em frustração.
Sendo maleável, a Lua  deixar-se-á influenciar pelas qualidades dos planetas pelos quais transitará. Ao simbolizar a versatilidade dos nossos estados de ânimo, às vezes nos fará alegres, às vezes amargurados, confiantes ou deprimidos. Será a causa do nosso bom ou mau humor.
Finalmente, não esqueçamos que ela governa tudo o que diz respeito à casa no sentido mais amplo, desde o conforto interior até à harmonia que reina no nosso lar. Em poucas palavras, é ela que constrói o nosso ninho.  


sexta-feira, 8 de junho de 2018

NEPTUNO EM TRÂNSITO PELA CASA 1




Quando qualquer planeta exterior transita pelo Ascendente e a Casa 1, a nossa  próxima etapa importante de crescimento implica uma confrontação com as características do planeta em trânsito. A dissolução do que foi até então o nosso sentimento de nós mesmos e do nosso caminho na vida é o principal efeito da passagem de Neptuno por esta parte da Carta Natal. Como o nosso antigo "eu" está morrendo, podemos sentir-nos perdidos e confundidos: até este momento sabíamos quem éramos e que queríamos na vida, mas já não estamos tão seguros.
Neptuno, o planeta das margens incertas e fronteiras confusas, esfuma o nosso sentimento de identidade e nos obscurece a visão, e é provável que a nossa reação imediata seja de preocupação e de medo: o chão afundou debaixo dos nossos pés e sentimo-nos como se nos estivéssemos precipitando no vazio. Toda a vez que estamos prestes a resolver sobre algo mais firme, é como se os acontecimentos se pusessem de acordo para nos desestabilizar. Mesmo no caso que             vejamos uma direção que gostaríamos de seguir, aparece algo que nos bloqueia o caminho e frustra os nossos planos. Quando Neptuno está em trânsito pelo Ascendente, é provável que não tenhamos outra escolha a não ser aceitar a nossa confusão e conviver com ela. Essencialmente, isto significa darmos permissão para não fazer outra coisa que mantermo-nos a flutuar até que chegue o momento em que podemos pisar de novo terreno firme. E isto não é fácil; necessita-se ter muita confiança na vida para renunciar a controlá-la e esperar para var o que acontece a seguir. O mais lamentável é que nem todo o mundo tem este tipo de fé.
Segundo o psicólogo EriK Erikson, é mais provável que tenhamos adquirido uma confiança básica na vida se de pequenos tivemos adequadamente reconhecidas e satisfeitas as nossas necessidades básicas.
Mas se a nossa mãe ou a pessoa que nos tinha a seu cargo deixava constantemente de responder de forma adequada às solicitações daquela criança que éramos, teremos crescido com uma falta de fé não só na vida, mas também em nós mesmos. Crescemos com a opinião de que somos maus e indignos de amor: Por que, não nos daria mama se o necessitávamos? Sem ter esta confiança básica na vida e em nós mesmos, o trânsito de Neptuno pelo  Ascendente pode ser especialmente difícil. Como podemos relaxar e confiar que, no final das contas tudo terminará por ocupar o lugar que lhe corresponde, quando na parte mais profunda do nosso ser cremos que ao mundo não lhe importamos nada?
Com fé ou sem ela, o trânsito de Neptuno pelo Ascendente pode ser um dos períodos mais dramáticos e solitários da vida. É um trânsito que faz aflorar todos os sentimentos de abandono e de negligência de quando éramos crianças. Pode ajudar-nos a compreender que o que agora experimentamos são emoções "antigas" que retornam à superfície.
Ter tempo necessário para lamentar a mãe ou o pai ideal que não tivemos é uma maneira de começar a usar de forma construtiva este trânsito, e explorar estes sentimentos com um terapeuta representará uma  ajuda valiosa. São momentos em que nos sentimos vulneráveis e desamparados, e o terapeuta pode oferecer-nos o apoio que nos faltou quando éramos crianças. Também pode ser que transfiramos ao terapeuta ou à situação terapêutica a raiva que carregamos por não termos sentido então satisfeitas as nossas necessidades básicas, e desse modo a elaboraremos. Levar à consciência estes sentimentos é o primeiro passo para nos reconciliarmos com eles.
Quando Neptuno em trânsito atravessa o Ascendente e a casa 1, é frequente que nos vejamos arrastados a relações do tipo  vítima/salvador. É bastante fácil ver como podemos identificar-nos com uma vítima nestes momentos: com frequência este trânsito não só produz confusão e o sentimento de ter perdido a direção, mas também pode reativar as sensações de desamparo que experimentámos no começo da vida, quando para sobreviver necessitávamos de alguém maior e mais poderoso que nós. Se durante este trânsito nos sentimos débeis, "pequenos" e perdidos, é natural que andemos em busca de alguém que nos resgate. Tentar que outra pessoa nos salve pode ser benéfico imediatamente, mas é um plano de vida que à partida está condenado ao fracasso. O outro não poderá manter-se eternamente no papel de salvador e, mais cedo ou mais tarde, falhar-nos-á. Além disso, encontrar alguém que cuide da nossa vida reforça o sentimento de pequenez e fraqueza, e perpetua qualquer tendência que possamos ter de manipular os outros explorando a sua compaixão. No entanto, para quem seja uma dessas pessoas que sempre pareceram grandes, fortes e capazes, este pode ser o momento de deixar assomar - como via para um crescimento psicológico mais global e completo - a parte da sua natureza débil e vulnerável e permitir que os outros possam vê-la.
Mas também é tentador agora, e em ocasiões apropriado, o papel de salvador. Neptuno dissolve a separação e pode conferir um maior grau de empatia e de compaixão por outras pessoas. As nossas próprias fronteiras são incertas, e somos mais sensíveis ao que acontece com os outros. Até certo ponto, deixar de lado as nossas próprias necessidades para prestar atenção à difícil situação dos que são menos afortunados é uma forma positiva e natural de usar este trânsito. No entanto, em nome da sinceridade psicológica, devemo-nos perguntar que benefícios pessoais estaremos obtendo ao assumir o papel de mártir ou de messias. Ajudar os outros também é uma maneira de consolidar a nossa autoestima, e também nos dá poder sobre outras pessoas. Quando Neptuno passa pelo Ascendente e pela Casa 1, alguns dos nossos motivos para servir os outros são sem dúvida puros, mas também é possível que se infiltrem outros fatores. Este trânsito oferece-nos uma boa oportunidade para examinar mais a fundo as nossas razões para querer ajudar outras pessoas.
Neptuno estimula o desejo de transcender a nossa condição de seres à parte e de nos fundirmos com algo maior que nós mesmos, de modo que, quando o planeta está transitando pela Casa 1 podem dar-se desejos e vivências de natureza mística ou religiosa. Os sentimentos piedosos ganham altura, e em momentos como este, devemos exercer certa discriminação quanto aquilo que decidamos adorar ou ao que escolhamos entregar-nos. A credulidade lendária de Neptuno dá espaço a uma ou outra piada, mas pelo mundo andam charlatães que podem fazer-nos algo muito pior que simplesmente levar-nos "ao jardim".
Dado que Neptuno nos capacita para abarcar territórios que transcendem as fronteiras comuns do eu, este trânsito amplia a nossa capacidade para servir de canal através do qual podem fluir imagens e sentimentos arquetípicos. É frequente que as pessoas criativas se sintam mais inspiradas nestes momentos, e que possam produzir algumas das suas melhores obras. Independentemente das nossas habilidades artísticas, dar alguma forma de expressão criativa ao  que experimentamos pode ser uma maneira de tirar partido deste trânsito.
Quer saibamos ou não, quando Neptuno transita pelo Ascendente ou a casa 1, queremo-nos "perder". Sem darmos conta, geramos circunstâncias pelas quais as estruturas que até esse momento construímos vacilam e entram em colapso, de maneira que tenhamos necessidade de reconstruir-nos de uma nova forma. Fascinados por planos utópicos ou por propostas disparatadas e condenadas ao fracasso, terminamos na bancarrota emocional ou financeira e com poucas perspetivas, a não ser a de recolher os pedaços e voltar a construir-nos de outra maneira para começar de novo. Se (como sucede a muitos) nos apaixonamos durante este trânsito, não é simplesmente por qualquer um, mas sim do homem ou da mulher dos nossos sonhos. O problema é que mais cedo ou mais tarde despertamos e descobrimos que o ser amado não é o que nós imaginávamos que era. Talvez estivéssemos esperando que a outra pessoa fosse o pai ou a mãe ideal que perdemos ou que nunca tivemos. Sob a influência deste trânsito, no entanto, teremos que encarar o facto de que necessitamos encontrar o nosso pai ou a nossa mãe dentro de nós mesmos, em vez de procurar alguém que assuma esse papel connosco. Os românticos estarão agora no seu elemento: sentir-se-ão transportados um dia para as  alturas do êxtase, para se precipitarem no seguinte em abismos de desilusão e desespero. Se levámos sempre uma vida rígida e cautelosa, mas enfadonha, pode suceder que o efeito de dissolução e afrouxamento de Neptuno seja precisamente o que necessitamos para a nossa próxima etapa de crescimento. 
Agora, qualquer coisa que nos prometa libertar-nos das nossas correntes será muito tentadora. Com Neptuno em trânsito pelo Ascendente e casa 1, talvez nos sintamos atraídos para o álcool e outras drogas como maneira de expandir os nossos limites, ou como forma de escapar das dificuldades que não queremos enfrentar. Durante este período, as pessoas propensas ao vício terão de exercitar a sua capacidade de restrição e de discriminação, e encontrar maneiras mais saudáveis de lidar com os problemas e a dor. Também é provável que nos sintamos mais cansados e letárgicos do que é comum, especialmente quando Neptuno está cruzando com o Ascendente. Durante o dia estamos com sono e depois ficamos acordados a noite toda, quando deveríamos estar dormindo. 
Pode ser que sintamos "nostalgia do divino" - isto é, a ansiedade de retornar ao estado de unidade com a totalidade da vida que conhecíamos antes de nascer - e que experimentemos a forte tentação de nos apartar do mundo do cotidiano para viver no das fantasias e sonhos. Até certo ponto, é provável que necessitemos ceder a estes impulsos antes de voltar a emergir, dispostos a enfrentarmos novamente a realidade mundana.


 DESCRIÇÃO GERAL: 

Neste momento, você vê o mundo através do filtro do seu idealismo ou da sua imaginação, e pode relacionar-se com pessoas ou projetos que não são o que aparentam ser. Deve ser cuidadoso para não mentir ou ser enganado, devido a que está muito mais recetivo e crédulo agora e pode permitir que o levem a algo que não quer; noutro momento você teria usado a sua discriminação e bom senso para evitá-lo. O seu sentido da realidade não é tão forte nem claro durante  este período da sua vida, particularmente acerca de si mesmo. No entanto, o lado positivo disto é que você sente mais compaixão, está menos concentrado nas suas próprias necessidades, é mais universal nos seus interesses e está mais aberto ao reino intangível da inspiração e a beleza.
Neptuno na casa do eu predispõe a uma grande recetividade, mesclada com intuição e inspiração. A nossa sensibilidade agudiza-se particularmente. Este trânsito conduz a uma evolução muito importante dos nossos ideais, do nosso mundo interior. Adquirimos novos conhecimentos, que podem encaminhar-nos a movimentos coletivos.

NEGATIVO:

Podemos sentir-nos desestabilizados psiquicamente. Os nossos objetivos são confusos. Cuidemos sobretudo de não nos deixar influir por teorias duvidosas e vendedores de ilusões (tais como algumas seitas que pregam uma espiritualidade de má qualidade). Desistamos, se se apresenta, a tentação do álcool ou da droga.



domingo, 6 de maio de 2018

SOL EM TRÂNSITO PELAS CASAS




Na mitologia o Sol simboliza a fonte constante de luz, calor e energia vital. Na Índia, por exemplo, é a estrela que dá a vida, mas logo se desinteressa da sua descendência. A Lua, por sua vez, preside aos nascimentos mas continua sendo uma mãe carinhosa. Em geral, não se pode compreender o Sol sem ter em conta a Lua.
O Sol, centro da nossa carta astral, é como uma criança. Crescerá e amadurecerá através das nossas distintas experiências que serão analisadas e compreendidas pelos trânsitos.
Podemos observar alguma correspondência entre o estudo dos planetas e os conceitos da psicanálise. Cada ser funciona de diferentes maneiras: o subconsciente, que não está ao alcance imediato da nossa mente mas ao qual se pode aceder trabalhando sobre si mesmo; o consciente -o eu- simbolizado pelo Sol, ou seja, o nosso pensamento consciente, e o inconsciente, simbolizado por Plutão, instância constituída por conteúdos reprimidos; o superego, simbolizado por Saturno, juiz e sensor do eu, constituído pela nossa educação, as leis morais e sociais e o nosso sentimento de culpa. Para se sentir melhor, convém encontrar um equilíbrio entre estas diferentes instâncias.
O Sol simboliza em astrologia o mundo do eu e em negativo, o superego. É, pois, um mediador repleto de vínculos entre os processos psíquicos. Simplificando, pode-se dizer que serve de árbitro entre ele e o eu. (Sobre os outros planetas esquematicamente: Saturno está também em relação com o eu, o superego e o ideal do eu; a Lua, Vénus e Neptuno, planetas relativamente mais passivos com ele; Marte e Plutão com um selo mais ativo, o instinto). Em resumo, o Sol corresponde à imagem que temos de nós mesmos, a que desejamos ter, ao ideal de um eu modelo ao qual tentamos aproximar-nos. Constitui também o substituto do narcisismo perdido de nossa infância. Representa a imagem do pai, com a qual nos podemos identificar com mais ou menos sucesso.
O Sol dá-nos o impulso para ser e criar. Simboliza a vontade. Pelo lado positivo, pode-nos dotar de uma mente brilhante. Negativamente, podemos ter uma tendência excessiva para nos destacar dos outros e tornar-nos demasiado exigentes. Permite-nos somente o acesso ao que pode ser satisfeito sem que origine consequências prejudiciais.
O Sol leva 365 dias a dar a volta ao Zodíaco. Ou seja, durante um ano,  permanece um mês em cada uma das 12 casas da nossa Carta Astral e passa por todos os planetas e pontos da mesma. No curso destes trânsitos, assinalará e destacará as suas características. Os seus efeitos por Conjunção são os mais determinantes.
Tomemos um exemplo: Saturno transita por Vénus Natal. Este trânsito gera um ambiente um pouco difícil no plano afetivo. Faz pensar que estamos ganhado maturidade no que se refere aos nossos sentimentos. A passagem do Sol por Saturno e Vénus, reatualizará essa sensação. A partir desse momento desenvolveremos uma consciência mais aguda do problema e seremos capazes de integrá-lo e compreendê-lo.
Devemos observar a trajetória do Sol, como também a dos outros planetas, tendo em conta o estado geral do céu. Convém saber igualmente, que o trânsito do Sol é repetitivo e relativamente secundário (salvo em conjunção sobre um planeta natal ou sobre um trânsito de planeta pesado).


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